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    Análise Financeira

    A análise financeira para investimentos, ou research, é uma atividade de pesquisa e análise sobre valores mobiliários com vista à elaboração isenta de conflitos de interesse de um relatório onde se formula uma avaliação de desempenho ou evolução de preços, levando em consideração os riscos e retornos de títulos de valores mobiliários.


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Relembrando a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) - Uma Breve Clarificação em Termos Contábeis

O preço das ações (e dos ativos reais que as lastreiam) não despenca por acaso. Embora os preços sejam influenciados por questões meramente especulativas no curtíssimo prazo, os fundamentos sempre estão por detrás dos movimentos cíclicos de médio e longo prazo - movimentos que acabam por separar os especuladores irresponsáveis dos investidores competentes. E conforme mostramos em todas as edições anteriores do VMT, os fundamentos da economia mundial se deterioram continuamente, com maior intensidade nas economias desenvolvidas. Os desequilíbrios na estrutura produtiva provocados pelo boom de 2003-2007 (prolongados e agravados por novas rodadas de impressão monetária e monetização de dívida pública e privada) mostram agora sua verdadeira e medonha face.

Nossos leitores já devem ter se acostumado com nossa análise baseada na TACE. Já explicamos com detalhes qual é a lógica econômica que faz com que a crise seja uma resposta inevitável ao boom iniciado por taxas de juros artificialmente baixas. No entanto, com a erupção de um novo bear market, sempre é bom relembrar seus fundamentos principais. Desta vez, buscaremos conceituar seu mecanismo utilizando analogias contábeis, de forma a facilitar a compreensão do leitor.

Em termos contábeis, a TACE diz que a redução forçosa das taxas de juros no período de boom faz com que a estrutura de ativos da economia se expanda insustentavelmente. Conforme as taxas de juros são reduzidas, a composição do ativo total do sistema econômico se torna demasiadamente de longo prazo, movimento não acompanhado pelo passivo. No boom artificial, a estrutura do passivo - isto é, a contrapartida contábil do ativo - tende a ser de um prazo mais curto. Isto porque ele consiste em mera expansão da oferta monetária, sem lastro em poupança real[1]. Como consequência, o passivo deve ser continuamente rolado até que a estrutura de ativos, agora reorganizada com base na taxa de juros artificialmente mais baixa, gere todo seu potencial estimado de receitas (fluxos de resultado).

No agregado, o valor presente estimado desses fluxos de resultados se torna maior. Isto porque com taxas de juros mais baixas as cadeias produtivas “reais” começam a usar métodos mais complexos e de maior produtividade. O problema é que esses fluxos estimados de resultados demandarão mais tempo para aparecer. Dado que a disposição dos agentes em poupar sua renda não aumentou na mesma proporção, a rolagem do passivo de curto prazo que sustenta essa reorganização dos ativos “reais” não poderá ser efetuada da maneira esperada pelos investidores. Em consequência, o valor presente desses fluxos estimados de receita será reduzido no futuro.

Assim sendo, podemos dizer que a contrapartida contábil de uma estrutura produtiva “real” desequilibrada é a contração de passivos para financiar a criação de ativos que num futuro não muito distante tenderão a ter seu valor de mercado dilapidado. Isto, por sua vez, significa a existência de ativos que não geram ganhos de capital ou fluxos de receitas a serem tributados pelo governo para o pagamento de suas dívidas (cobertura do passivo público). Por fim, isso também significa ativos que não irão gerar ganhos de capital ou fluxos de receitas capazes de serem usados para pagar juros aos bancos credores (cobertura do passivo privado).

Este é o cerne da TACE e também dos problemas que assolam a “economia real”. Agora, resta aos leitores do VMT acompanhar conosco como esse problema vem se manifestando nos EUA, Europa e países emergentes.



[1] Discutimos esses assuntos mais a fundo no artigo metodológico “A Oferta Monetária Austríaca”, disponível gratuitamente.


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