Introdução
Nessa edição do Vienna Macrotrends temos diversos assuntos importantíssimos a serem abordados. Primeiramente, gostaria de explicar o título da edição.
Perfect Storm é o título em inglês do filme “Mar Em Fúria”, estrelado por George Clooney. Traduzindo-o literalmente teríamos algo como “tempestade perfeita”. Quem assistiu ao filme deve se lembrar de que a grande tempestade que provocou o naufrágio se formou devido a uma improvável combinação de circunstâncias que ocorreu justamente naquele momento específico. Algo parecido pode estar acontecendo com os mercados nesse momento.
No front externo, os dois principais blocos desenvolvidos, Europa e EUA, começam a sofrer a ressaca relacionada às últimas tentativas de socorro. No caso dos EUA, a ressaca pós QE2 começa a assustar, enquanto na Europa a ressaca das injeções monetárias ligadas aos bailouts soberanos e bancários é contínua[1]. Ainda no front externo, as principais economias emergentes, como Índia e China, avançam no processo de reversão do boom – ambas vem mostrando aceleração inflacionária e desaceleração no crescimento[2]. Os índices de produção vêm mostrando resultados abaixo das expectativas no mundo inteiro, enquanto a inflação persiste e se agrava[3].
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No front interno, diversas coisas aconteceram desde a última edição. O governo brasileiro decidiu embarcar na insana corrida de desvalorização cambial ao imprimir mais dinheiro e reduzir forçosamente a taxa de juros de curto prazo. Novas tentativas de planejamento central da produção estão sendo arquitetadas - algo que no médio e longo prazo prejudicará a eficiência econômica e a geração de riqueza real. As contas públicas vão sendo lesadas e o consumidor nacional é brindado com uma nova rodada de deterioração nas perspectivas inflacionárias.
Os efeitos de todos esses desdobramentos estão convergindo no momento atual, assim como no filme. Os mercados, já viciados, aguardam ansiosamente novas e maiores doses de estímulo, na esperança de prolongar por mais algum tempo o boom de 2003-2007. Os governos, por sua vez, vêm cedendo à pressão e despejando mais e mais dinheiro no sistema. No entanto, conforme ensina a boa teoria, a crise que segue um boom incitado por taxas de juros artificialmente baixas é inevitável. Cada rodada nova de estímulos apenas agrava a crise futura, e cada rodada de estímulo precisa ser mais vigorosa do que a anterior – uma vez que os agentes passam a antecipar os possíveis canais de transmissão monetária e a inflação futura. Por fim, cada rodada adicional de estímulos apenas redistribui renda real, solapando o valor da riqueza daqueles que recebem somente depois a liquidez extra criada.
Dessa forma, nessa edição do Vienna Macrotrends, temos como objetivo mostrar aos associados quais cenários podem estar se desenhando em meio a esta tempestade, e como os mesmos podem evitar se posicionar na ponta perdedora. Começaremos relembrando o associado qual é nossa base teórica de interpretação do caos atual dos mercados. Lidaremos primeiro com o cenário externo, para depois abordarmos o front interno – acreditamos que ao menos no curto prazo o último depende demasiadamente dos desdobramentos do primeiro.
[1] Como diz Fernando Ulrich (2011), o longo prazo anunciado naquela época pelos Austríacos chegou.
[2] Últimas leituras na Coréia do Sul já mostram retração: http://www.bloomberg.com/news/2011-09-01/asian-manufacturing-slowdown-may-aid-region-s-campaign-to-stem-inflation.html
[3]Fonte: Goldman Sachs (2011). Uma leitura acima de 50 indica expansão.
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